Gripe ou bronquiolite por VSR em lactentes: como diferenciar
Atualizado em · Leitura de 4 min
Em lactentes, gripe e bronquiolite por VSR circulam na mesma época e causam quadros parecidos. A diferença que muda a conduta é uma: só a influenza tem antiviral específico.
Qual é a diferença clínica entre gripe e bronquiolite por VSR?
Nenhum achado isolado separa as duas com segurança em lactentes. O conjunto ajuda:
| Influenza | Bronquiolite por VSR | |
|---|---|---|
| Faixa etária típica | Qualquer idade; maior risco em menores de 5 anos | Menores de 2 anos, sobretudo menores de 6 meses |
| Início | Súbito, com febre | Coriza e obstrução nasal por 1 a 3 dias, depois tosse e esforço respiratório |
| Febre | Frequente e mais alta | Ausente ou baixa, com frequência |
| Sintomas sistêmicos | Prostração, irritabilidade, recusa alimentar | Dificuldade para mamar por cansaço respiratório |
| Exame do tórax | Variável: normal, estertores ou sibilos | Taquipneia, sibilos e estertores difusos, tiragem |
| Apneia | Possível em neonatos | Pode ser o único sinal em neonatos e prematuros |
| Sazonalidade | Outono e inverno, variável por região | Outono e inverno, com pico bem marcado |
| Tratamento específico | Oseltamivir | Não há; suporte |
Quando suspeitar de gripe em vez de bronquiolite?
Pense em influenza quando houver febre alta de início súbito, prostração desproporcional, contato domiciliar com síndrome gripal ou circulação de influenza na região. Em menores de 2 anos, o Ministério da Saúde considera síndrome gripal a febre de início súbito, mesmo referida, com tosse, coriza e obstrução nasal, sem outro diagnóstico específico.
A coinfecção por influenza e VSR é possível. Um quadro típico de bronquiolite não exclui gripe.
Como a conduta muda?
Se houver SRAG, trate como influenza sem esperar exame. O Guia do Ministério da Saúde indica oseltamivir em todos os casos de SRAG e em síndrome gripal com fator de risco, o que inclui crianças menores de 5 anos. O benefício é maior nas primeiras 48 horas, mas persiste até 5 dias em SRAG e em grupos de risco. Veja o manejo clínico da gripe e a conduta inicial na SRAG.
Bronquiolite sem influenza é tratada com suporte: hidratação, aspiração de vias aéreas superiores, fracionamento da dieta e oxigênio, quando a saturação cair. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina. Detalhes na diretriz da SBP resumida em infecção por VSR: guia para profissionais.
Qual a dose de oseltamivir em lactentes?
A dose depende da idade e do peso, e o Guia do Ministério da Saúde traz tabelas próprias para lactentes, recém-nascidos e função renal. Confira no guia vigente e use a calculadora do oseltamivir no Dose Pediátrica. Veja também oseltamivir: dose e posologia.
Quando pedir exame?
- SRAG: colete amostra respiratória para RT-PCR de influenza, de preferência antes do antiviral, sem atrasar o tratamento. A notificação é obrigatória.
- Lactente internado: o painel viral identifica VSR, influenza, SARS-CoV-2 e outros vírus, e ajuda no isolamento por coorte.
- Quadro leve ambulatorial: o diagnóstico é clínico e o exame raramente muda a conduta.
Quais sinais indicam gravidade em qualquer um dos dois?
- saturação de oxigênio de 94% ou menos em ar ambiente (critério de SRAG do Ministério da Saúde);
- tiragem, batimento de asa de nariz, gemência ou cianose;
- frequência respiratória aumentada para a idade;
- apneia;
- recusa alimentar com desidratação;
- letargia ou piora após melhora inicial.
Para a avaliação sistematizada da criança com desconforto respiratório, use a avaliação primária no PALS e as emergências respiratórias.
Perguntas frequentes
Todo lactente com bronquiolite precisa de oseltamivir?
Não. O oseltamivir trata influenza. Na bronquiolite por VSR sem influenza ele não tem efeito. Trate com antiviral quando houver SRAG, ou síndrome gripal em criança de risco (menor de 5 anos), mesmo sem confirmação laboratorial.
Dá para diferenciar VSR de influenza só pela clínica?
Não com segurança. A febre alta e a prostração favorecem a influenza, e o início com coriza e o esforço respiratório progressivo favorecem o VSR. Por isso o Guia manda tratar SRAG sem esperar o exame.
Lactente com bronquiolite precisa de antibiótico?
Não, de rotina. A bronquiolite é viral. O antibiótico só entra na suspeita de infecção bacteriana associada, como pneumonia ou otite com critérios clínicos.
A palivizumabe previne gripe?
Não. A palivizumabe protege apenas contra o VSR e é indicada para grupos de alto risco. Contra a gripe, a prevenção é a vacina, a partir dos 6 meses.
Fonte: Ministério da Saúde - Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023 · Sociedade Brasileira de Pediatria - Diretrizes sobre infecção por VSR
Fontes
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